Temos no
Brasil uma crescente onda de doutrinação que passa de um problema
estrutural do nosso país para um problema político de dimensões
absurdas.
Minerais raros são hoje o que o petróleo foi um dia,
e até mesmo os temperos do Oriente foram muito antes. E não é o simples
comércio de um produto que importa, assim como não foi nos outros
casos.
Uma coisa é pensar no preço e no consumo. O argumento
de alguns com parco entendimento em economia trabalha com o preço e com o
tema de finanças simplesmente. Essa é a mentalidade que colonizadores
usam para controlar seus mandatários sobre populações locais. É somente
uma questão de riqueza e dinheiro.
Economia, por outro lado, é
mais do que isso. No estudo dos ciclos, ao contrário do que as redes
sociais fazem parecer, não é um "boom bust" sem parar. Temos ciclos
financeiros, contábeis e econômicos. Diversos fatores contam para o
estudo de ciclos fora do quando se gasta, do quanto se ganha.
A
sugestão de alguns famosos "ex-alguma coisa" vindos dos USA dita que o
Brasil deve utilizar recursos como vantagens econômicas e políticas
baseado somente no "mercado", essa figura que toma uma forma mítica e
acéfala nas palavras dessas pessoas.
Alguns falam sobre
substituição de importações, e outras teorias que claramente foram
implementadas para um mundo baseado no colonialismo e na exploração de
uns pelos outros. Existem indústrias, existem mercados, que devemos
manter sob controle nacional independente do quão eficiente seja outra
nação nessa indústria. É uma questão estratégica. E pensa que estes
indivíduos não sabem disso? Eles sabem.
Há algum tempo havia a
discussão sobre Internet. Existe uma razão para o setor de
telecomunicações e mesmo correios preferivelmente ser operado ou
detalhadamente regulado pelo governo. O governo deve, quando
corretamente dirigido, compelir certas indústrias a trabalhar com
"justiça", não com a diretriz de ser o mais eficiente com operação e
finanças mais do que com a certeza de justiça.
Imagine um
mundo em que existem taxas e custos perfeitamente alocados para
distância, poder de compra e lucratividade no serviço de comunicação.
Isso só pode ser atingido quando favorece-se o poder aquisitivo e a
capacidade de produção dentro da prestação de um serviço. Se fossemos
considerar dessa forma, como o interesse privado deveria, faria sentido
cobrar taxas extras para as pessoas que mais precisam do serviço, e
condições especiais para aqueles que tem maior poder de barganha. Isso
também seria o caso para transporte público. Operar um setor de linhas
de ônibus vai custar mais onde as viagens mais longas requerem ônibus
mais confortáveis e duráveis, por outro lado as linhas em que os
usuários de baixa renda são os que mais precisam do serviço, e
simplesmente não iriam poder pagar o uso, caso a empresa estivesse
operando completamente eficiente financeiramente.
O argumento
de que impostos mais altos diminuem arrecadação só serve para casos
específicos onde o proponente deve demonstrar que o ganho econômico não
supera o ganho financeiro.
Existem diversos tipos de
tributos, e um deles é o imposto. Existem diversos impostos em natureza,
e mesmo que sejam simplificados, seguem sendo o mesmo importo aplicado
para diferentes razões. Meramente no campo financeiro, existe uma janela
em que o imposto é diretamente relacionado com a arrecadação, passando
por essa janela, acima ou abaixo, a arrecadação diminui.
Mas o
imposto não é uma mera ferramenta financeira para custear o governo. E
nem mesmo o tributo é a única forma de custear o governo. Muitos
impostos servem ao propósito de estabelecer padrões de consumo, e
nortear as prioridades do governo. Um dos mais claros exemplos, no
Brasil, o IPVA. O IPVA de veículos que não são interessantes para o
Brasil é muito maior que os do que são, e aqueles mais interessantes tem
isenções e descontos. A razão do preço do IPVA de carros esportivos de
alta gama e veículos com tecnologias ambientalmente inadequadas não é
aumentar a arrecadação pelo certo poder aquisitivo de seus donos, mas a
ideia de que esses veículos devem custear os custos que trazem para o
Estado, e a desencorajar importação de veículos que não tem outra
vantagem se não a compra vaidosa, e a possível violação de leis de
transito.
O imposto de renda é outro exemplo. As pessoas
advogam que rendas maiores são responsáveis por empregos e produção. O
que parece não ser entendido pelas pessoas é que o imposto de renda age
sobre a renda, não sobre o uso dessa renda. O sistema aplica a lógica de
que a renda é a proporção do uso dos serviços do Estado. Quem tem renda
maior, tem maior interesse e mais uso dos bens públicos. Se essa renda é
usada em favor do emprego, em favor do desenvolvimento do país, em
favor da erradicação da pobreza, então ela sera recompensada nessas
atividades, ou retroativamente através da declaração do imposto de
renda.
O Estado não está interessado, como o interesse
privado, em lucro acima de tudo, em corte de custos acima de tudo. O
Brasil tem todo o interesse em manter certas riquezas que tem, por
motivos ambientais, por motivos de pesquisa e desenvolvimento, e por
motivos soberanos. Nenhum país está melhor porque tem mais "vendas" e
maior lucro. Ele está melhor porque no fim dos ciclos, ele agrega valor
na qualidade de vida do povo que vive nele.
É absurdo levar a
sério um pretenso gestor público que acredita que vender ou negociar com
recursos estratégicos do país é em qualquer medida uma ação
inteligente.
O que faz minha cabeça girar é o fato de que
diversas pessoas nesse país acreditam que render-se a uma realidade
maquinada criada para destruir a soberania do país é algo razoável.
Chega ao absurdo desses políticos falarem claramente o que em essência é
vender o país para o interesse privado e governos estrangeiros, e essas
pessoas no país mais prejudicado aplaudirem, e nem sequer considerarem
que existe uma razão pela qual os países que querem dominar o nosso não
fazem essas coisas eles mesmos.
É muito triste pensar que algo
que vivemos há não muito tempo atrás é esperado de braços abertos por
certos membros da população, geralmente muito jovens para terem vivido
essa época, mas acima de tudo, é triste saber que pessoas que viveram
essa situação querem vivê-la novamente.