Vendendo identidades brasileiras de graça

 Imagine que o governo decida hoje que o novo emissor de identidade brasileiro é privatizado. Todas as pessoas são obrigadas a usar a identidade para as coisas normais da vida, e para garantir sua própria identificação.

A identidade em si é de graça, mas além dos dados, a empresa cobre para quem quer um módulo de verificação de identidade. Além disso, soluções variam, de uma verificação nível 1 até 10, e cada uma custa diferentes preços.

Seria estúpido.

Pois bem: A decisão de obrigar sites, não só adultos, como outros sites que podem ou não conter alguma coisa que pode ser controversa, é uma decisão que faz a mesma coisa em essência.

Para um governo que fala tanto em soberania, estamos dando passos largos na direção de um sistema que não desarma, não controla e não arbitra a influência de empresas multinacionais, especialmente as que não tem origem brasileira, nas áreas mais estratégicas e sensíveis do nosso país.

Ao invés de diminuir, estamos aumentando.

O presente governo reduziu o investimento em software livre, aumentou a inserção do uso de recursos do Microsoft Office e Google nas instituições, e agora promove indiretamente um sistema Europeu de coleta de dados e verificação de idade.

O mais interessante é que o governo sozinho poderia criar uma API que verifica através do gov.br a idade de um usuário, sem precisar dar nenhum dado ao website, simplesmente respondendo sim ou não para uma determinada consulta de idade.

Ao invés disso ele prefere arbitragem privada de documentos pessoais de cidadãos brasileiros por empresas que outrossim nem precisariam saber que tal cidadão existe e os detalhes nacionais de sua identidade.