Guerra no Iran: Uma guerra de séculos que só está no ápice

Para quem está vendo as notícias do nosso "jornalismo como entretenimento" da nova geração, você pode pensar que de uma hora pra outra os USA decidiram atacar, ou se você assiste o entretenimento como jornalismo dos USA, que o Iran decidiu atacar.
Ao contrário, estamos numa batalha grande em uma guerra que já dura mais de 75 anos, no caso específico de ataques e estratégia miliar.
No trabalho do Dr Roy Casagranda, aberto no YouTube, ele explica muito a respeito do que aconteceu no Iran, e como o fato de não ter sido dobrado pelo colonialismo Europeu ou pelo imperialismo dos USA fez do Iran um campo de batalha, tanto ideológica quanto cultural, que traduziu-se em tensões internas e exploração por inimigos. De um lado os USA, procurando derrotar os então impérios europeus, e por outro lado os impérios europeus tentando sobreviver o declínio que agora os USA estão começando a enfrentar, ou pelo menos, entender que enfrentam.
Existiria hoje um Iran muito diferente, talvez uma luz no mundo do meio oriente, cultural e industrialmente exemplar e uma ponte entre ocidente e oriente, se não fosse a estupidez desses "impérios" em dominar por vias que são insustentáveis.
China, Rússia, eles aprenderam as lições de Adam Smith, entre outros, da maneira correta, e entenderam seus avisos sobre a "riqueza das nações". Os USA não entendem porque insistem que Adam Smith é o que ele não era. Adam Smith não era um advogado de "Free Trade" ou insistia que o mercado "resolve tudo".
Ao contrário, Adam Smith explica como essas coisas funcionam e os problemas que ela trazem. E muitos julgam que "explicar é defender", quando o tom do livro é bem diferente.
O que temos hoje a respeito de Israel, Iran, e muitos países naquela região, assim como muitos outros países no mundo, é causado pelo que o Dr Casagranda alude quando diz que "Europeus pegaram um giz e sem saber nada a respeito do Oriente médio, começaram a traçar linhas que seriam fronteiras".
Curdos, Shia, Suni, Turks, Slavos, entre outros povos, além dos genocídios dos Armênios e dos Assírios, assim como os "ocultos" genocídios perpetrados pelos Ucranianos em busca de um regime que adotava muito das características nazistas, todos eles contribuíram para um cenário onde ninguém confia em ninguém e fronteiras não são pontos de segurança ou negócio, mas amargas feridas históricas abertas por gente que nunca teve o interesse dessas pessoas em mente.
E o brasileiro, ele pode enterrar a cabeça na areia o tanto que quiser, pois aqui vivemos em um modo mais feliz, mas isso é uma ilusão tão estúpida quanto a que causou os problemas no Oriente Médio.
Nossas fronteiras, com o Uruguai, com Paraguai, assim como certas regiões incluindo Venezuela e Colômbia, todas foram desenhadas originalmente com os mesmos "gizes europeus" e causaram problemas similares. Talvez porque os povos já massacrados pelos europeus eram menos numerosos, e a maioria do povo era descendente de europeus e escravos, nossas lutas na América do Sul resultaram em conflitos menos duradouros e menos cruéis. Mas estamos longe de ser imunes aos problemas que assolam as vítimas de regimes imperialistas como os USA.
Nesse exato momento o brasileiro pode pensar que o problema da Venezuela é da Venezuela, e depois, quando ficar sabendo, que o problema do Equador é do Equador.
Isso irá aparecer para surpresa de muitos quando essas palhaçadas de Lula versus Bolsonaro, direita versus esquerda, trouxer o tipo de pensamento que predominou na Venezuela e no Equador para seus problemas: A crença de que um lado vai "soltar" os USA no outro e ganhar com isso.
NINGUÉM ganha com a influência dos USA, nem mesmo os USA.
Nenhum país, região ou mesmo grupo de pessoas, na história, tornou-se melhor no tempo com a influência dos USA.
Os proponentes acham que "uns terem ficado ricos" ou outros terem acesso a tecnologia é "estar melhor", mas o preço, ninguém comenta. 
As mentiras são longas e históricas. Qual regime tirou mais gente da miséria? China, Rússia, Índia, entre outros, historicamente, criaram sociedades muito mais fortes contra miséria do que os USA e sua democracia liberal podem contar SOMADAS todas as épocas em que interviram.
Quase todas as inovações atribuídas aos USA já existiam em diversas partes do mundo, que numa prática similar aos Britânicos antes, os USA alardeiam como suas invenções, suas criações. O brasileiro sabe bem disso: Se há uma discussão sobre quem inventou o avião, mudamos a "regra" para que sejam os nascidos nos USA.
Nosso país precisa acordar que reciprocidade também pode ser usada como uma arma de imperialismo, e que antes da reciprocidade, é preciso respeito pelo povo que aqui vive, e pela história que aqui se desenrolou.
Fernando Henrique uma vez disse:
"O FMI não é uma arma que os USA empregam para destruir economias."
Isso lá nos anos 90. Nem 5 anos depois, e até hoje, presidentes dos USA liberam documentos procurando guerra com seus oponentes internos, seja Republicanos contra Democratas ou vice-versa, e contam as histórias de como o FMI foi usado inclusive contra o Brasil. Nossos programas de desenvolvimento, de tecnologia, e infraestrutura no Nordeste. 
Se estamos afundados num "nordeste versus sudeste" até hoje no mental de muitos brasileiros, é em grande parte graças aos Britânicos, aos Holandeses e os Estadunidenses.
No livro "Confissões de um assassino econômico" John Perkins conta sua história como representante na América Latina desse sistema dos USA. Seu livro, que saiu há algum tempo, teve informações que podem ser confirmadas por aberturas de arquivos governamentais feitas após sua publicação.
Não se iluda com o que falam hoje, e o que você, de 18, 20 anos, tem ouvido a respeito da política como era na nossa época. Nós, brasileiros, estamos na mira desde muito tempo, e nossa política de "guerra civil fria" não é natural da nossa gente, é uma fabricação das pessoas que um de nossos presidentes de referiu muito bem como "forças ocultas", e outro se referiu como "aqueles que não querem o bem do Brasil", um que renunciou, e outro que se matou, por causa dessa palhaçada que muitos brasileiros em sua ignorância, são coniventes.


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